quinta-feira, 3 de abril de 2008






entregou-se de cabeça
à parede, parece
que cedeu


quarta-feira, 2 de abril de 2008


EMILY DICKINSON


Mesmo que pudesse
dizer tudo
não podia dizer tudo
e é bom assim



S. JOÃO DA CRUZ

Mesmo que pudesse
dizer tudo
não podia dizer tudo
e é bom assim



ADÍLIA LOPES


quarta-feira, 30 de janeiro de 2008


1/1


viveu um tempo
em portugal
poderia
ser muito feliz
se não fosse



o correio


/
era maria cristina
ou seria maria cristina
já não importa


//

tão já não consegue
pensar na vida
e viver ao mesmo tempo




///


as coisas então partidas estão perdidas





//
//


guilherme continua a escrever
suas cartas de amor

para si

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007


oi, passei por janelas modernistas, lembrei de você.
sabe, o rio de janeiro, meu bem, não é isso tudo não. nem bundas
alguns prédios velhos que sorriam, um gosto de esquecimento, de se perder de vista, de que ninguém te vê.
sabe, meu bem, eu tomei um chopp. e fumei cigarro, mentolado porque só desses que tinha avulso e então eu tive certeza dos quatorze anos fumando um cigarro em frente ao cinema. abri o livrinho perto dos caras de mochila que só falam em película, cabelos nos olhos como em todos os lugares que freqüento. we are idiots, babe. pensei em você. estou comigo, só. ando como se fosse outra


os postais ficaram, um sol gigante me cobre completamente em qualquer espaço. vou indo, assim mesmo
devagar pra não pegar o trem. me espere.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007



don't forget the flowers someday
i
hope i do.


segunda-feira, 2 de julho de 2007


Ainda sempre nada da tua mão. Fica para a próxima. Às vezes tenho medo de construir essas paredes. Eu com a picareta e o cimento. E tu, com o teu silêncio. Uma vala tão funda que te empurra para um longo esquecimento. Até dói cá ver estas coisas mas que não queria ver. O teu cabelo tão lindo cai-me das mãos como erva seca. Às vezes perco as forças e julgo que vou esquecer-me.


aqui

terça-feira, 26 de junho de 2007

como maiakovski naquela foto / você parece


o sentimento é velho
o motorista
do ônibus
403
nem tanto assim

não quero que me
pegue na mão
ou que diga
quão bonita
estou
fume este cigarro
de pé
de longe
a plenos pulmões
espere a hora
dar
sem sorrir
não olhe para mim
nessa direção
às 11:48
vamos
embora
eu
prefiria ficar
mais dois minutos
sentada
no acento reservado

gordas
e grávidas
te vêem melhor

segunda-feira, 25 de junho de 2007



quero ser adília lopes

à mesa
segurando as malas
entre um gole de café
e outro
sem pensar em partir

domingo, 8 de outubro de 2006











um centímetro não mede
as angústias do papel
(não sabe
se dobra ou se bainha
o fim do corpo
que pretendem a ele)

domingo, 10 de setembro de 2006


perdida num canto
a poesia
e a moça noutro




sentados, amortecidos
abraça

(tenho pensado em moças
quando penso)

mas
meia colher de sangue só

foi tudo
o que disse
é o que chamam de hemorragia interna
já li.
vira pro lado
como é linda dormindo
como é linda

o som que sai não é da boca
tampouco do canto
onde ela está

- a mosca pousa
a janela clara -
os dois se olham como
se nunca antes

quando a moça jaz

com quase duas

colherinhas menos

quinta-feira, 7 de setembro de 2006


banhistas as moças
não coisas

--- (se coisas simplesmente não)



de pé sobre pés longos pescoços
longos
tecidos não

se algo
se verão
se tudo que já
mais terei de meu
não é

repouso a ver
se me há de convir

que as coisas
tantamente sim

terça-feira, 15 de agosto de 2006







escorrer
nalguma pia
- a dor -

funda
do prédio de engenharia

domingo, 16 de julho de 2006


primeiro percebeu
o peso das palavras e

para todos os efeitos
colou-as sobre si

quem passou viu

as palavras foram
ficando leves
como seda

e nada sendo
voaram
para onde

não sabe dizer.